Renovar móveis com papel adesivo. Será?

Ando eu sempre em busca de ideias e inspiração para a bricolage cá de casa, quando me deparo com isto: móveis que ganham nova vida porque são forrados com papel adesivo. Sim, não é vinil, não é um papel especial, é mesmo aquele papel meio plastificado que se usa na escola (eu tenho montes de cores cá em casa) e aparentemente fica bem, não se nota nada e os móveis ficam novos. Ora espreitem o vídeo da Zovie para terem uma ideia do que vos falo. Conheciam? Pois eu não, só conhecia aqueles vinis que se compram já prontos para aplicar normalmente a móveis do ikea, mas  como os que quero pintar não são desses, nunca me entusiasmei muito com isso. Bem, parece que os nossos irmãos brasileiros são experts nesta técnica. Forram tudo, estantes, roupeiros, cómodas, eu sei lá – vi vídeos que não lembram ao menino jesus, até os vi forrar micro-ondas e frigoríficos… Há quem faça esta técnica em móveis de cozinha, mas com água à mistura, em superfícies com muita limpeza, já não acredito! Eu que sou um ser céptico por definição, tenho sempre de experimentar para ver, e só depois criar a minha própria opinião. Mas lá um aspeto positivo tem: a facilidade da coisa. O não gostar, tirar o papel e voltar ao que estava. Além disso tenho sempre muita vontade de mudar, pintar móveis e tal, mas depois vem a parte de ter de lixar tudo e escolher as tintas e os pincéis e passa-me um bocado a vontade, primeiro porque tenho medo de estragar móveis que são bons (só lhes queria mudar mesmo a cor) e depois porque aquele pó todo que é preciso fazer, tira-me logo a disposição decorativa. Assim sendo, acho que vou dar o benefício da dúvida e um dia destes vou-me pôr a encapar móveis, suspeito que será um pouco mais difícil que encapar livros, mas não há como experimentar. Quando tiver tempo, claro. Talvez daqui a um mesito. Mas depois venho cá dizer se resulta assim tão bem ou se ficou uma bela bosta.

pérolas infantis #10

Numa de consciencializar a miudagem para o lixo e para o desperdício que se faz no planeta, costumo falar de reciclagem com os meus miúdos. E mostrar-lhes que se podem fazer coisas fixes aproveitando lixo embalagens que seriam deitadas fora, para fazer instrumentos musicais. Às vezes faço coisas todas bonitas com eles, como vos mostrei aqui, quando tenho tempo.

No caso levei maracas recicladas com diversos materiais no interior, para que adivinhassem só pelo som (sem ver o conteúdo) o que estava lá dentro. Alguns miúdos adivinharam logo, outros tiveram de aproveitar pistas que vou dando para conseguirem perceber que o som era produzido com baguinhos de arroz, massinhas de canja, feijões ou areia.

A maioria acha muita piada quando vê que é uma maraca reciclada e não a sério, mas não passa muito disso. Lá ouvem a minha lengalenga sobre reciclar mas a coisa não vai muito além da aula, não vai longe, portanto.

E depois há aqueles miúdos que nos surpreendem. Na semana seguinte a este episódio que vos conto, a Lara que é uma miúda muito fofa a quem dou aulas, não sossegou enquanto não a deixei ir buscar a mochila porque “tinha uma surpresa” lá dentro.

Lá a deixei mostrar e foi isto que ela me apresentou. A maraca reciclada mais bonitinha de todo o sempre, que fez em casa “com a ajuda do pai, que colou o pauzinho”. E ainda fez outra de um rolo de papel higiénico. A melhor parte desta história é que me perguntou no fim (tal e qual eu lhes faço a eles):

– O que é que está cá dentro, ora adivinhem lá?… Faz este som… É da cozinha, cheira bem e é castanho…

Eram grãos de café. Uma ideia própria que ela tirou da cartola.

Lara, 5 anos.

  

migas de grelos biológicos

Comprei diretamente do produtor um molho de grelos com um aspeto divinal, tenrinhos tenrinhos! mas não os conseguia comer todos só cozidos. Então lembrei-me daquelas migas divinais que se comem habitualmente no alentejo e que me lembram de férias quando era mais miúda. Nunca tinha feito, mas ficaram óptimas. Mais houvesse, mais se tinham comido. E lá foi o molho de grelos.

A receita que usei foi esta, com algumas adaptações, e resultou mesmo bem!

Ingredientes:

  • 1 molho grande de grelos
  • 1/2 broa de milho
  • 5 dentes de alho (bem picados)
  • sal q.b
  • azeite q.b
  • bicarbonato de sódio q.b
  • cogumelos ou feijão vermelho ou frade

Preparação

Lavar muito bem os grelos, tirar os talos mais duros e as folhas estragadas.
Cozer por 3-5 minutos em água fervente temperada de sal e bicarbonato de sódio.
Escorrer bem e picar os grelos. Numa frigideira colocar o azeite e o alho. Deixar um bocadinho e esfarelar a broa de milho lá para dentro. Adicionar os grelos picados e envolver. Cozinhar em lume brando, regando, caso necessário, com um pouco de água de cozedura dos greles e/ou azeite. É importante que a mistura não seque, mas também não deve ficar muito empapada. Temperar com sal e pimenta, deixar cozinhar mais um pouco e servir. Há quem junte feijao frade ou vermelho. Eu juntei cogumelos e ficou bom também.

Vou voltar a fazer sem dúvida!

imagem daqui.

Ouvi e gostei #31

Fanfare Ciocarlia. Já os conhecia mas só este mês os vi ao vivo. E gostei muito! São uma banda de gipsy music com uma onda muito muito boa. Existem desde 1996 e são da Roménia. Tocam sempre de cor, não usam papeis (que inveja!), também fazem covers (o melhor talvez seja da Caravan) mas na minha opinião gosto mais dos originais. Tenho um casal amigo que são absolutamente fãs e muito por causa deles (que já os viram uma data de vezes), lá fui eu, e realmente não me arrependi. É daqueles concertos de dançar e pular do princípio até ao fim. É totalmente impossível assistir parado. Simplesmente não dá. São 12 músicos, só metais, desde trompetes, trompas, tubas, saxofones, com uma percussão pelo meio, muito solo, muito baixo soprado, uma fanfarra mesmo fixe. Muito ao género Kusturika, que eu também adoro. Aliás quando ouço aqui os Ciocarlia, parece que estou dentro do gato preto gato branco. Têm uma data de álbuns (9 penso eu) e deixo-vos com este vídeo do festival internacional de jazz de Montreal, do tema “Bunica Bate Toba”em que eles tocam com o guitarista Adrian Raso. É difícil escolher o melhor tema, são todos bons!

Descubram a obra e toca a pular!

(Obrigada Santos e  JP. por me terem apresentado estes senhores e pela boa energia que nos dão sempre que passam músicas destas!)

 

desejos reprimidos #4

Eu tenho uma cena com o preto e o branco – mais precisamente o cinzento. Adoro cinzento. Escrevo-vos hoje mesmo com uma camisa cinzenta, umas calças cinzentas e um casaco cinzento. (Diz que o look monocromático está na moda, está bem? Pelo menos é o que digo à minha mãezinha quando ela me faz o reparo que ando sempre vestida com as mesmas cores).

Ah, e já agora – as minhas unhas, só por acaso estão pintadas cinzentas metalizadas também. Não sei porquê, acho uma cor apaziguante e elegante – e por isso tudo o que vejo em cinzento parece que me atrai naturalmente. Como este casaquinho-poncho-não-sei-bem-como-chamar-a-isto, mas é lindo lindo lindo! Ainda por cima feito de caxemira e merino…ui! Deve ser um mimo ao toque!

Burberry, 995€, aqui.

 

Os meus morangos

Isto de envelhecer traz coisas engraçadas. Eu que passei a minha infância e adolescência na quinta, nunca quis fazer nada de especial no que respeita à agricultura e floricultura e cenas ligadas à terra, enquanto lá vivi. Na verdade ninguém da minha família fazia nada com os canteiros que tínhamos lá em casa, nunca se plantou nem cultivou nada.

Aliás, não gosto nem nunca gostei de campo (a casa de que vos falo era apesar de tudo na cidade), não gosto de mosquitos e de animais sem espinha dorsal e nunca tive especial chamamento pela cena da natureza – apesar de sempre ter achado graça quando era tempo de colher laranjas, limões, maçãs, figos e maracujás, que era o que de comestível havia por lá e que se desenvolvia sem rega ou grandes cuidados. No entanto e porque isto de envelhecer traz coisas engraçadas, agora que vivo num apartamento há uns bons anos, parece que me deu uma vontade de plantar cenas e ter vasos, ter terra em casa e cultivar.

Sem falar nas plantas de casa – daquelas simplesmente verdes e decorativas que toda a gente tem, tudo começou por uma brincadeira com as suculentas e a beleza com que as vi crescer (aqui), as sementes de tomate (aqui), e agora dou por mim na net a ler artigos sobre rega, número de horas de exposição solar e temperaturas ideais.

Isto porque comprei dois morangueiros, na verdade não sei bem porquê, eu gosto muito de morangos mas nunca tinha tido morangueiros na quinta. Vi-os no supermercado cheios de florzinhas brancas – tão amorosos! e trouxe-os para casa, replantei e estão à janela por causa das 6 horas de exposição solar ideal. Rego-os generosamente de dois em dois dias, no fundo do vaso e não diretamente na terra, e estão à janela mas do lado de dentro, para que se mantenham os 20 graus mínimos.

Já tenho vários morangos de 2 centímetros em desenvolvimento, e todos os dias quando chego a casa vou lá vê-los, para saber se cresceram mais um bocadinho ou se ficaram vermelhos. Tenho já  um grande e vermelho que vou comer um dia destes e vos mostro na foto.

Não sei o que se passa comigo. Estou a amolecer. Noutro dia pensei em fazer compostagem.

Envelhecer traz coisas engraçadas.