ouvi e gostei #17

Rodrigo Amarante. Recomendou-mo uma amiga do coração, que por me conhecer tão bem, já sabia que eu ia gostar. E não se enganou – gostei mesmo, e muito! O Rodrigo é um músico brasileiro, que fez parte dos Los Hermanos e dos Little Joy e se lançou a solo em 2013. Ficou mais conhecido, diria eu, através da banda sonora da série Narcos, que integrou temas dele. Do que ouvi – gostei de tudo, tem temas muito diferentes, do depressivo bossa nova ao “animado western” a fazer lembrar Dead Combo. Sem dúvida para explorar com mais tempo e mergulhar com tempo na obra. Não me parece que seja músico de um estilo só ou de seguir a direito. Deixo-vos com o tal tema que fez parte dos Narcos – o Tuyo.

Soy el fuego que arde tu piel
Soy el agua que mata tu sed
El castillo, la torre yo soy
La espada que guarda el caudal

Tu el aire que respiro yo
Y la luz de la luna en el mar
La garganta que ansio mojar
Que temo ahogar de amor

Y cuales deseos me vas a dar?
Dices tu, “Mi tesoro basta con mirarlo
Tuyo será, y tuyo será.”

pérolas infantis #4

Num destes primeiros dias de aulas, reencontrei alguns alunos meus do ano passado que mudaram de ciclo e por isso de escola também. Perguntei-lhes toda contente como estavam, se gostavam da escola nova, como ia a vida, essas coisas…

A resposta deles (todos rapazes) foi:

– Sim, está tudo bem. Ainda não temos os professores todos e não conhecemos bem a escola, mas já sabemos que dá para passar dos nossos balneários para os das raparigas!

Vai bem encaminhada a coisa, vai.

Foi exatamente isto que quase aconteceu no sábado passado:

só que em vez de martini era gin e em vez de cuecas às bolinhas cor de rosa eram pretas.

Tenho a dizer que a facilidade em entalar vestidos fluidos nas cuecas é diretamente proporcional ao número de gins que bebemos. Foi por pouco! Ah ah ah ah ah!!!

imagem daqui.

ouvi e gostei #16

The gift. Era eu uma jovem quando me ofereceram o primeiro álbum dos gift, Vinyl. A banda dispensa apresentações, toda a gente os conhece e ainda bem, fico contente com isso. Música portuguesa diferente, facilmente identificável, uns dirão mais – outros dirão menos pop, mas boa. Lembro-me de adorar o primeiro albúm, os singles, saber as canções todas de cor, ir a alguns concertos deles, e até autógrafos tenho. Acho que a banda vive muito da presença, timbre e forma de cantar da Sónia. Vi-os neste fim de semana ao vivo, e não perderam nada desde aquele Vinyl, pelo contrário. Acho-os mais maduros, com preocupações mais sinfónicas, mas sempre com aquela energia boa de quem ainda não se fartou de fazer as coisas. Gostei especialmente desta: “Question of love” que já não ouvia há anos, continua maravilhosa!

It’s because I met you,

It’s because I’m here…

It’s because I felt you,

It’s because I’m near.

That’s the reason why

you don’t have to go

The reason that I adore you

you know…

You have nothing to lose…

E esta 11:33? Aposto que já não se lembravam…também é deles, noutro registo, é certo – mas também maravilhosa!

Façam figas por mim!

Este post serve para vos contar que aqui o estaminé vai andar mais parado que o habitual. Isto porque entre o início do ano letivo e um ritmo de trabalho alucinante, aqui a Pipi vai finalmente dedicar-se às dores de cabeça de ter um espaço de trabalho próprio. Nada de grandes dimensões e investimentos desmedidos, é mais um “pequeno grito de ipiranga laboral”. Uma pequena independência que já vinha a ser sonhada há uns tempos e que brevemente (espero eu!) se irá concretizar. Por isso, com muita modéstia e humildade vos peço que cruzem os dedos e façam figas por mim! Vai ser muito trabalho, muita despesa, pouco lucro e um risco do caraças, mas é como diz o outro: “A vida é p’ra frente!!!” Mandem-me boas energias cibernáuticas que elas chegam cá, e eu preciso delas, ó se preciso!

foto daqui.

ouvi e gostei #15

Mayra Andrade. Conheci-a através de um amigo, também professor de música, que me recomendou que a ouvisse por saber que eu gosto de música do mundo. A Mayra tem a minha idade,  nasceu em Cuba, cresceu entre países (Senegal, Angola, Alemanha e Cabo Verde) e vive em Paris desde 2003. Para mim, e do que ouvi, parece-me que a maior influência será mesmo a de Cabo Verde, e eu adorei a voz e a sonoridade dos temas dela. Já estive no continente Africano mas nunca fui a nenhum país africano central – a verdadeira África para mim. A que ouço das histórias e das saudadaes. Talvez por ser filha de angolanos fiquei com uma costela emprestada, que me faz adorar tudo o que é música desta, seja angolana, cabo-verdiana, moçambicana…qualquer uma que venha de um desses sítios maravilhosos. Adoro música do mundo, sonoridades e ritmos diferentes, mas a música africana é sempre qualquer coisa: admiro-lhes a noção de ritmo, a felicidade simples nas canções e as cordas sempre agudas (soltas ou em solo) que nos fazem logo querer dançar e nos invadem de boa onda, instantâneamente. Deixo-vos com o tema que mais gostei – “Ilha de Santiago” do último álbum dela, o “Lovely Difficult”. Muito Bom.

Noites de poesia #6

Por ser a primeira quinta feira do mês, deixo-vos um excerto de um poema do Livro “Fado” de José Régio, que me foi oferecido por um amigo e tenho lido ultimamente. Adoro cantar alguns fados e gostei especialmente deste.

“Fado Canção”

Medito o meu fado estranho:

Canto, e sei lá porque canto?

Canto, porque nada tenho

Melhor que o dom de cantar…

E canto, por me animar

Contra o silêncio, o vazio

da minha alma frustrada

E o frio

Que anda em meu ser,

-Como quem, noite fechada,

Passando na encruzilhada,

Por escorraçar o medo

Levanta a voz a tremer…

E eu sei que não vem

Ninguém,

À solidão de que morro,

Prestar a mão de socorro,

Trocar o olhar de ternura

Que me salvara do espanto.

Mas, quanto melhor o sei,

Mais creio, melhor crerei

Nesse eco a essa lonjura…

 

E mais e melhor eu canto!

 

José Régio