Por acaso, dava-me imenso jeito ser um polvo

O polvo é um animal do caraças. Tem oito braços, é inteligente, tem uma capacidade de memória muito superior à dos seus primos de outras espécies, e ainda por cima não tem ossos – o que nunca vai fazer dele um animal com dores nas costas, espondiloses, artrites e essas coisas. A mim dava-me imenso jeito ser um polvo. Principalmente nesta altura do ano. Tenho 12 turmas, mais propriamente 129 alunos. Que precisam de avaliações e compilações de trabalhos e de ensaios para festas de final de ano. E já agora também precisam que lhes prepare e dê aulas até ao fim do ano letivo. Tenho jantares para fazer, louça para arrumar, roupa para lavar e dobrar. Tenho uma casa para limpar, assim só o estritamente necessário para que não pareça um acampamento cigano. E também tenho o amor da minha vida para passear e namorar. E depois os festivais que começam a aparecer e o JazzMinde a que não posso faltar. Tenho o IRS para entregar e reuniões a que não posso faltar. Tenho um joelho lesionado que me anda a moer e pouco tempo para o descansar. Tenho projetos novos para organizar e as férias por marcar.

Dava-me mesmo imenso jeito ser um polvo! Como não sou, se me virem na rua mandem-me para casa trabalhar.


O desenho é do meu aluno Tiago que tem 4 anos e cuja aspiração é tocar 3 instrumentos ao mesmo tempo. De facto, tenho de concordar com ele, era genial ser um polvo. Ó lá se era!

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sonhos de bacalhau

Eu cá sou uma fã de pataniscas. Acho regional, very typical, é um daqueles pratos mesmo “tugas”que nos fazem sentir em casa, mesmo que estejamos a 2570 km dela. De preferência com arroz de tomate. A receita de hoje não é bem pataniscas – é melhor ainda. Sonhos de bacalhau é o nome que inventaram para pataniscas ricas, basicamente é só bacalhau e um pouquinho de massa à volta, só para conseguir fritar. Cá vai a receita. Acho que ficavam mesmo bem pousados numa travessa de loiça verde (daquelas que imitam uma couve), em cima de uma toalha de mesa aos quadrados, mas isso são cá ideias minhas.

Receita (para 2 pessoas):

  • 2 ovos
  • 2 colheres de sopa de farinha
  • sumo de meio limão
  • 1 malagueta vermelha seca
  • 2 colheres de chá rasas, de fermento em pó
  • Um ramo de salsa

Batem-se os ovos com a farinha e o sumo de limão. Junta-se a malagueta e metade do ramo de salsa. Bate-se tudo no liquidificador. Envolver o bacalhau nesta mistura e picar o resto da salsa de modo grosseiro. Fritar em colheradas de sopa, como se fossem sonhos.

É uma delícia…e à portuguesa!

ouvi e gostei #5

Moullinex. Não sei como, mas andava distraída em relação a este senhor. Ainda não lhe prestei a devida atenção e o álbum já saiu há um ano. Não sou propriamente fã de música totalmente eletrónica, embora goste de eletrónica quando misturada com instrumentos a sério. E depois acho que estamos todos a precisar de um som…zinho dançável e saudável que nos faça esquecer esta primavera mortiça e nos faça chegar em grande alvoroço ao verão. É isso que me faz lembrar música como a dos moullinex – festas de verão, com um copo fresco por perto, praia, pôr do sol e late night clubbing.

Curiosidade: parece que se chama moullinex porque uma vez fez um sample com uma picadora daquelas 1,2,3 (lembram-se?), e num aperto em que ainda não tinha pensado nisso e teve de dar o nome ao seu projeto para um evento, lembrou-se que a picadora era da moullinex…e ficou.

O tema chama-se “Take a chance” e é do álbum “Elsewhere”.

 

Porreiro.

É de mim, ou o bloco de dois sons durante o refrão, fica mesmo es-pe-ta-cu-lar?!?

Toca a bater o pézinho.

Se eu não gostasse tanto do que faço… mandava-lhes já um CV.

Ora bem, andava eu no youtube a ver umas “cenas aleatórias” quando não sei como, ouvi um anúncio publicitário com um tema francês tããããão fofinho! Sempre tive um little crush por música francesa e não descansei enquanto não o descobri. É este aqui em baixo:

Pelo que consegui perceber, estes senhores moram em barcelona (o que já de si é qualquer coisa de fazer inveja…) e têm um estúdio independente onde fazem música para cinema, produções de TV e anúncios de publicidade como a Nokia, a Endesa, a Tous, o Ikea, e outros.

E este, que é igualmente bom:

Dizem eles no site, que fazem “Músicas para ver”.

“Hay personas que transforman el Sol en una simple mancha amarilla, pero hay también quien hace de una simple mancha amarilla el propio Sol” Pablo Picasso

São pequenos excertos, para serem essencialmente vistos e não propriamente ouvidos…

Mas vão bem lançados, diria eu.

engate no LIDL

Eu sou pessoa que só faz compras no supermercado uma vez por semana. Porque acho mais fácil de gerir a lista do que preciso e o orçamento também, e porque não tenho muita paciência para andar em supermercados e passar tempo nas filas das caixas. Tenho ainda o estranho e indiscreto hábito de ver o que cada pessoa leva no tapete rolante à sua frente, e daí desenvolver teorias elaboradíssimas acerca do seu estilo de vida, família, emprego, etc.

Por exemplo quando vou atrás de um homem, na casa dos 40, que só leva uma garrafa de vinho, batatas fritas e camarões, penso: divorciado, pode ser que organize umas entradas em casa, ou então há jogo de futebol importante e eu não sei de nada. Quando vejo uma rapariga franzina, 20 e poucos, com ar frágil e que só leva ovos, vegetais e manteigas de amendoim, sementes e cenas dessas, penso: olha mais uma menina vegetariana, só lhe faz bem! E quando vejo senhoras à beira de explodir com putos ranhosos e ruidosos, cheias de pizzas, hambúrgueres, douradinhos e essas coisas, penso: coitada da mulher, deve ter um rebanho de miúdos a quem dar de comer quando chega a casa – vida de mulher é lixada!

Bem, esta peripécia amorosa (na qual só estive envolvida enquanto observadora atenta) passou-se no LIDL, que é o meu supermercado preferido. Primeiro porque tem dos melhores frescos do mercado – as alfaces deles comem-se com os olhos, depois porque tem o melhor e mais barato leite sem lactose do mercado, e todo um mundo de coisas boas. Além disso é o único supermercado na minha zona que tem pepinos baby e queijo quark bom e barato, coisas que valorizo muitíssimo. Isto para além de muitos outros produtos próprios que dão uns 10 a 0 às marcas brancas dos outros supermercados. É verdade que não tem tudo o que preciso e que por vezes ainda tenho de comprar uma ou outra coisa noutro sítio, mas é de longe o supermercado onde vou mais vezes.

Numa dessas minhas idas às compras deparei-me com esta técnica de engate, bastante agressiva por parte da menina da caixa. Senão vejam: à minha frente ia um rapaz, com os seus 30 anos, todo jeitosão – alto, todo fit, barba grande mas aparada, cabelo assim para o comprido, moreno, descontraído mas arranjadinho. (Eu só reparei porque estava a controlar as compras dele no tapete, tal como vos contei acima). A partir de agora vou chamá-lo de rapaz jeitoso. O rapaz jeitoso levava uma garrafa de cerveja de litro, uma de vinho, pão, queijo, chocolates e uma sobremesa gelada. Logo, teorizei (qual tia Maia) que é solteiro, e vai provavelmente a um jantar de amigos, para o qual ficou incumbido de levar uma sobremesa. A garrafa de vinho e de cerveja deve ter sido ele que quis levar por sua auto-recreação. O pão e o queijo era para comer logo ao chegar a casa, que aquilo logo se via que era corpinho de muito alimento. Bem, mas no meio desta análise toda, eis que a moça da caixa, passa os artigos do rapaz e….surpresa das surpresas, solta:

-“Olhe desculpe, mas vai ter de me mostrar o seu cartão do cidadão.”

O rapaz (garanto-vos que não tinha cara de miúdo, via-se bem que era maior de idade, eu diria uns 30 anos – já mencionei o facto de ele ser todo jeitoso?) ficou corado, perguntou se tinha mesmo de ser e tal, e afirmou que há muitos anos que não lhe pediam tal coisa. A menina da caixa sorriu no seu melhor estilo sedutor e mostrou-se irredutível. Enquanto isso, eu só me fartava de rir para dentro a topar a cena toda.

-“Aqui está!” – disse ele. E mostrou o cartão, atrapalhado. Não consegui ver, nem ela disse a idade do rapaz jeitoso. Mas demorou-se…ui, todo o seu tempo, a examinar o nome do rapaz e a fazer as contas à data de nascimento com um sorrisinho maroto no canto do lábio.

Entretanto eu continuava a rir-me para dentro, desta vez às gargalhadas (muah ah ah ah) e a pensar que, se isto não é engate agressivo, então não sei o que é.

O rapaz lá pagou as compras, um pouco nervoso, e foi à vida dele. Acho que ele deve ter ido todo o parque de estacionamento a pensar que nunca mais iria às compras ao Lidl ou que, pelo menos, nunca mais escolheria aquela caixa – porque quando o vi a arrumar as compras no carro, ele ainda abanava a cabeça de vez em quando.

E depois ainda dizem que os homens é que são uns engatatões agressivos. Sim, sim. Contem com isso.

Cenas de gaja – gel ou pó?

Se há coisa que pode valorizar uma gaja mulher são as mãos, ou melhor as unhas, que também podem ser as dos pés. Quantas vezes vemos uma miúda mesmo gira mas depois com umas mãos horríveis, unhas amarelas ou roídas? E os pés, já perdi a conta a tanta boazona, de vestidinho e tal (principalmente no pico do verão) com a bela da sandália de salto alto, e depois umas unhacas no pézinho de fugir a sete pés? (Gostaram do trocadilho de fugir a sete pés…dos pés! Hã…foi bom, não acharam?) Ora, por isso é que não tenho as unhas naturais há anos! É um hábito como outro qualquer, eu já não me vejo sem as unhas pintadas, não consigo, pronto. Trabalho com as mãos e passo o dia a olhar para elas. Fiz unhas na manicure, todas as semanas certinhas, durante uns anos. Já tinha hora marcada semanalmente só para mim, uma coisa assim em chique. Só que depois veio a crise, uma pessoa tem de trabalhar mais para ganhar o mesmo e fiquei sem tempo para o tal compromisso semanal e sem vontade de ter uma despesa fixa todas as semanas. Então decidi ser eu a arranjar as minhas próprias unhas e até levo bastante jeito para a coisa. Também nunca vario muito: pinto-as sempre de vermelho (tenho aí uns 7 tons de vermelho diferentes) ou de risquinha francesa. O meu aliado sempre foi o verniz gel da essence com lâmpada – fácil, duradouro e barato. Andei anos e anos nisto, era fantástico, não estragava a unha, era brilhante, durava 10 dias e podia ser usado com qualquer verniz normal que gostássemos. Além disso podia usar colas, diluentes e tintas com os miúdos e ele sempre impecável.

O problema é que foi descontinuado, retiraram-no do mercado e nunca percebi porquê, visto que era um produto maravilhoso, com bons resultados e uma óptima relação qualidade preço. Quando me apercebi disso corri para todas as lojas que vendiam a marca e comprei todos os que consegui encontrar, para salvar a minha manicure caseira por mais um tempo. Eis senão quando, o meu stock chega ao fim e fui obrigada a arranjar (outra) solução. Não foi fácil, não queria gel porque não gosto da grossura artificial, não queria verniz gel porque é uma praga para retirar das unhas e ficam muito estragadas. Um verdadeiro dilema. Há uns tempos atrás ouvi não sei onde, que existia um novo método para fazer unhas – que não era gel, nem verniz gel, não usava lâmpada e que não estragava a nossa unha. Unhas de imersão em pó. Isso mesmo, leram bem, pó. Esperei uns tempos, até que chegaram ao salão onde ocasionalmente pinto o cabelo. Marquei para experimentar e fiquei completamente siderada com o resultado. Parecem gel mas não são, vão-nos mergulhando as unhas no tal pó e vão pintando com um verniz especial que é transparente. E depois mais pó e depois mais verniz. Há pó de várias cores e um selante a que junta um brilho no final. Ficam fininhas, fininhas e mesmo naturais. A unha fica incomparavelmente mais dura e  resistente do que com o verniz gel da essence, dura mais e é também muito mais caro. Mas é uma boa alternativa, principalmente para quem quer conservar a unha natural em bom estado. Chamam-se unhas SNS de imersão em pó, e pelo que percebi é uma espécie de acrílico mas de muito boa qualidade. Ganharam uma cliente, pode não ser para sempre, mas para alturas em que precisamos de unhas “longa duração”, sejam férias ou festas é uma aposta ganha. Experimentem e depois digam-me alguma coisa, vão ficar maravilhadas, como eu.

Ouvi e gostei #4

O novo single da Isaura, “8”.

Adoro a sonoridade dela e do Francis Dale, já os vi ao vivo em concerto (bem, aquilo não foi bem um concerto, foi mais uma aparição intimista) e adorei!

Disse ela ao Jornal Hardmusica que “8 é não ter pressa de chegar, é querer viver cada minuto sem desfazer de um único segundo e repetir, baixinho, que nunca é tarde para palmilhar até onde se quer chegar”.

Eu acho-a intensa e penso que não se esconde só atrás do eletrónico. Tem uma voz porreira que sabe usar muito bem.  Já tinha gostado da “Change it” e da “Useless”, mas este “8” não fica nada atrás. Gosto dela e gosto do single.

E fico contente por se pôr esta malta a tocar no Rock in Rio e no NOS Alive.

“Diving, climbing, soaring, I’m sure I’ll get
Somewhere, somehow, sometime, I know I’ll get
To where you are, cuz you are also
Diving, climbing, soaring…”