Por acaso, dava-me imenso jeito ser um polvo

O polvo é um animal do caraças. Tem oito braços, é inteligente, tem uma capacidade de memória muito superior à dos seus primos de outras espécies, e ainda por cima não tem ossos – o que nunca vai fazer dele um animal com dores nas costas, espondiloses, artrites e essas coisas. A mim dava-me imenso jeito ser um polvo. Principalmente nesta altura do ano. Tenho 12 turmas, mais propriamente 129 alunos. Que precisam de avaliações e compilações de trabalhos e de ensaios para festas de final de ano. E já agora também precisam que lhes prepare e dê aulas até ao fim do ano letivo. Tenho jantares para fazer, louça para arrumar, roupa para lavar e dobrar. Tenho uma casa para limpar, assim só o estritamente necessário para que não pareça um acampamento cigano. E também tenho o amor da minha vida para passear e namorar. E depois os festivais que começam a aparecer e o JazzMinde a que não posso faltar. Tenho o IRS para entregar e reuniões a que não posso faltar. Tenho um joelho lesionado que me anda a moer e pouco tempo para o descansar. Tenho projetos novos para organizar e as férias por marcar.

Dava-me mesmo imenso jeito ser um polvo! Como não sou, se me virem na rua mandem-me para casa trabalhar.


O desenho é do meu aluno Tiago que tem 4 anos e cuja aspiração é tocar 3 instrumentos ao mesmo tempo. De facto, tenho de concordar com ele, era genial ser um polvo. Ó lá se era!

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4 thoughts on “Por acaso, dava-me imenso jeito ser um polvo

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