Construir, apreciar e desmoronar. Voltar a construir, voltar a apreciar e desmoronar.

Diz o Johann Egger, físico, que está em Lisboa desde 2015, no Técnico a fazer Erasmus, que “uma pedra banal é uma pedra extraordinária”. A notícia é do público e vi-a através do “blog que ninguém lê” (eu leio!) e tive curiosidade de ir saber mais sobre este jovem. Parece que a cena dele é a gravidade. Empilhar pedras, umas em cima das outras e criar esculturas assim – à beira mar, ou na margem do Tejo, para que toda a gente as possa ver. E elas lá ficam – até o vento as derrubar ou as gaivotas lá pousarem e as destruírem.

 

Achei a entrevista do rapaz, fantástica.

Por um lado é mesmo giro fazer arte com pedras, com coisas (ou mesmo lixo) que dão à costa. Por outro, aprecio-lhe a paciência – que é algo com que eu, obviamente não fui abençoada. Por acaso até fui, um bocadinho só, mas deixo-a (a paciência) toda no local de trabalho. E depois não sobra nenhuma, para atividades como esta. Além disso eu sou pessoa um pouco dada à frustração, e à terceira vez que a estrutura caísse, não ia achar muita piada ter investido tanto trabalho e tempo, sem um resultado mais sólido e duradouro.

 

Mas voltemos ao Johann. É mesmo bonito e zen ver as esculturas tomarem forma e ficarem ali equilibradas, imóveis, sem saber quando vão cair. Há algo de meditativo nisto, digo eu.

Esta foto é da página de facebook que ele criou para mostrar as esculturas que vai fazendo e podem ver muitas mais por lá. “Don’t underestimate the small ones”, é a legenda desta. Lindo. Haverá certamente quem pense que o rapaz é doido, que não tem mais nada que fazer, ou que poderia ocupar o tempo (que é cada vez mais precioso) de outra forma qualquer. Vai “majé” estudar daqueles livros grossos cheios de contas!, talvez. Eu cá tenho outra opinião, acho que as esculturas dele se transformam numa mensagem profunda e poética que talvez poucos compreenderão: a de construir, apreciar e saber que vai desmoronar. Voltar a construir, voltar a apreciar e saber que vai desmoronar. E não desistir de voltar a repetir o processo, mesmo sabendo inequivocamente que vai desmoronar. Ele diz que “o processo é mais importante do que o reconhecimento no fim”. Acredito.

Tenho para mim que isto aponta mais para a metáfora que a vida é, aplicada às pedras e a todas as outras coisas.

O vídeo da entrevista fica aqui. Vejam lá.

Adoro a maneira como ele encolhe os ombros e mexe a cabeça (1:40 mais ou menos) sem qualquer sinal de frustração. Era gaja para me apaixonar por um homem assim, só não sei se isso é bom ou mau. Ainda por cima, tem umas mãos bonitas.

(Pipi-man, se estás a ler isto: não há razão para alarme – era só uma suposição/devaneio. Vá…sem stress.)

 

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