Noites de poesia #6

Por ser a primeira quinta feira do mês, deixo-vos um excerto de um poema do Livro “Fado” de José Régio, que me foi oferecido por um amigo e tenho lido ultimamente. Adoro cantar alguns fados e gostei especialmente deste.

“Fado Canção”

Medito o meu fado estranho:

Canto, e sei lá porque canto?

Canto, porque nada tenho

Melhor que o dom de cantar…

E canto, por me animar

Contra o silêncio, o vazio

da minha alma frustrada

E o frio

Que anda em meu ser,

-Como quem, noite fechada,

Passando na encruzilhada,

Por escorraçar o medo

Levanta a voz a tremer…

E eu sei que não vem

Ninguém,

À solidão de que morro,

Prestar a mão de socorro,

Trocar o olhar de ternura

Que me salvara do espanto.

Mas, quanto melhor o sei,

Mais creio, melhor crerei

Nesse eco a essa lonjura…

 

E mais e melhor eu canto!

 

José Régio

 

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