pérolas infantis #6

Acabadinha de chegar à escola, com um pé no degrau e o outro a pisar o chão da sala de aula:

– Olá meninos!

– Olá Pipi! – e virou a cara para o lado, qual exorcista que vomitou o chão todo.

Que recepção. Que imagem. Coitadito do miúdo – estava mesmo doente.

São pérolas que me caem na frente.

Literalmente.

Ainda bem que não sou só eu que penso…

…que o Natal é a época mais triste do ano. Ao contrário do que nos querem fazer sentir e acreditar. Há dias passei os olhos neste texto do Arrumadinho e identifiquei-me mesmo com ele. Eu costumo dizer mais ou menos o que ele escreveu, mas não a toda a gente, apenas àqueles que vejo que possam compreender o meu ponto de vista. Poderia discorrer sobre essa minha teoria aqui, mas é deprimente o quanto baste e não vale a pena. Até porque no Natal temos de estar todos felizes, aos saltinhos, a desembrulhar presentes físicos.

Mas lá que fiquei feliz de ver que não estou sozinha nisto, fiquei.

Faltam exactamente 3 dias para o Natal. Já não era sem tempo.

Diz que esta tarte funciona à base de uma reação química

Comi-a no fim de semana passado, porque houve uma amiga que a fez para o jantar de Natal e estava bem boa. Parece que a reacção química que está por base se dá entre as natas e as limas – o que faz aglutinar a coisa sem ter de a bater durante horas. Então a receita é esta:

Ingredientes:

– 1 embalagem de bolcha maria ou digestiva (já vi quem fizesse com oreo, mas prefiro a maria)

– 100 gramas de manteiga

– 2 pacotes de natas

– 1 lata de leite condensado

– sumo de 4 limas (raspa para enfeitar)

Preparação:

Triturar a bolacha e misturar com a manteiga para fazer a base. Forrar uma forma de tarte com esta massa. Bater as natas com o leite condensado e juntar pouco a pouco o sumo das limas mexendo bem. A reação química da acidez da lima com as natas e o leite condensado faz com que a mistura engrosse sem ser necessário usar gelatina. Vai ao frio e colocam-se as raspas de lima por cima para enfeitar. Muito bom, fácil e rápido!

Imagem daqui.

O blog anda parado, porquê?

Porque é Natal, claro está. Porque há 539 festas infantis de Natal em que vou participar. Com adereços. E colegas que querem uma canção, e depois querem outra. E afinal já não querem a primeira porque é muito difícil. E porque precisam que alguém lhes arranje um “som de magia”. E porque há teatros para musicar. [Arranje-me lá uma música bonita para dizer uma poesia por cima.] E avaliações e relatórios para fazer. E já agora, a nossa própria vida para levar. Amigos  que estão longe para rever, jantares para participar e amigos secretos para presentear.

Fiz a árvore de Natal em meia hora e recusei-me a decorar o resto da casa. Ainda bem que tratei dos presentes em Novembro, senão ia tudo corrido a meias e chocolates. Previsível.

A sério, o Natal devia ser levado de outra maneira, mas isso era assunto para toda uma dissertação pouco romântica.

Ponto alto do dia

Ver um miúdo a limpar o salão (vulgo meter o dedo no nariz). Chamá-lo à atenção. Ver que coloca ainda mais o dedo dentro do nariz. Olhar para ele com cara de reprovação. Ver o miúdo a ficar vermelho e a choramingar. Perguntar o que se passa. Perceber que ele enfiou alguma coisa no nariz. Perguntar-lhe o que foi e no meio dos lamentos não perceber nada. Ficar preocupada e obrigá-lo a fungar como se não houvesse amanhã. Perceber que era uma pedra, isso mesmo, uma pequena pedra que apanhou do chão. E decidiu enfiar numa narina. Uma pedra é uma coisa tão gira. Dar sermão sobre narizes e orelhas e hospitais, otorrinos, doutores em geral, bombeiros e ambulâncias. Tenho um amigo ORL que diz que é normal, passa a vida a aspirar narizes e orelhas à canalha. Pelo sim pelo não, voltar a dar sermão. E depois continuar a aula.

E assim se passou ontem uma tarde animada.