Os mecânicos: seres muito esquisitos.

Se há coisa que preciso mesmo é de um carro resistente. A minha vida laboral depende disso, talvez seja o meu maior instrumento de trabalho. Um que não me deixe ficar mal, que ande às voltas e pare e arranque. E volte a arrancar e a parar noutra escola. E que faça isso vezes sem conta, 6 dias por semana. Faço imensos kilómetros num raio de 30. Quando me perguntam se ando muito nunca sei bem o que responder – é que eu ando muito, mas às voltas. Por isso, quando o meu velhinho a gasolina faleceu, resolvi comprar outro, usado mas a diesel mais económico e fiável. Um Mercedes pequenino e fofinho (uma paixão antiga). Até percebo relativamente de marcas e modelos e de mecânica assim muito por alto. Cresci numa família onde em tempos houve mecânicos a sério, o que parecendo que não, ajuda um bocado a não parecer tolinha quando me queixei que a direção não estava bem. Claro que, neste mundo machista dos mecânicos e tal, nunca mingúem acredita nas queixas de uma mulher, a menos que seja um problema gritante e salte à vista. Liguei ao sr mecânico e fiz uma primeira abordagem na oficina:”Ah e tal a direção está pesada nas curvas, é um problema intermitente, só faz a gracinha de vez em quando, principalmente com o carro frio, sinto que deve haver algum problema”. O que o sr. mecânico ouviu foi “olha mais uma gaja maricas que não percebe nada de conduzir e o volante está pesado. Esta pesado está, tu é que não percebes nada disto, tolinha”. Ligou o carro ao seu tablet omnisciente, viu uns errositos menores e mandou-me para casa, que não era nada. Certifiquei-me que era seguro e andei com o carro mais uns dias. O problema não desapareceu. Segunda abordagem de volta na oficina: “agora parece-me que o volante está mais uniforme, não há grande diferença nas curvas mas está mais pesado por todo”. O que o sr mecânico ouviu foi “esta gaja é mesmo chatinha, não deve ter nada mais interessante na vida para fazer e lembrou-se da direção, vai mas é ao cabeleireiro fazer umas madeixas, que isso passa”. Actualizações de software, foi no que me falaram. Madeixas para automóveis, portanto. Voltei a trazer o carro, continuavam a dizer que era seguro andar com ele, mais um dia e já não estacionei na garagem (que é um -2 e implica muito volante). Dormiu na rua o fim de semana inteiro porque evitei usá-lo, à espera das tais atualizações. Segunda feira de manhã, que já de si é um dia espetacular, não o consegui tirar do estacionamento entre dois carros. A direção não mexia. Claro. A sério, que surpresa. Voltei a entrar em casa, pousa pasta, leva pasta, e levei o carro do pipi-man. Cheguei atrasada às aulas (odeio!) os miúdos todos à minha espera, stress. Dei as aulas todas da manhã, com a cabeça naquilo, saí da escola e ligo novamente ao mecânico, que só acreditou em mim quando ameaçei com o reboque, porque entre dois carros era impossível. Felizmente o carro à minha frente saiu (sorte!) e lá o consegui levar. Com o pipi-man de carro vassoura atrás de mim (se algo corresse mal) e toda a minha força em cada curva, cada rotunda. Demorei meia hora a fazer 10km, tal era a dificuldade em virar, até à oficina, de onde nunca deveria ter saído, já da primeira vez. Acho que não vai lá com a conversa das atualizações. Mas isso acho eu, que sou G-A-J-A!

Eu juro que não percebo os mecânicos. Até parece que não gostam de ganhar dinheiro e que temos de pedir por favor para que nos ouçam e, já agora, sermos clientes deles.

Ah, e detesto quando não acreditam em mim.

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2 thoughts on “Os mecânicos: seres muito esquisitos.

  1. Compreendo-te!
    Não que perceba muito de mecânica, que não percebo, mas também sei quando algo se passo. Há uns tempos fartei-me de dizer que o carro estava a fazer um barulhinho estranho. Ninguém conseguia ouvir e começavam a dizer que eu é que tinha mania de ter ouvidos tísica. Até ao dia em que sr. gambuzino levou o carro ao mecânico e lá me deu razão, que o barulhinho que eu ouvia não era da minha cabeça. Mas eu também não me deixo ficar, conversa de machista é coisa que não tolero.

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    • E faz muito bem, nunca nos devemos deixar ficar sem que nos ouçam com atenção, pelo menos! E a minha sensação era só um grave problema de direção com direito a mudança de peça e tudo! É a vida…das máquinas! 😉

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