pérolas infantis #11 (agora com fotos)

Os animais vistos – e desenhados – pelos meus alunos.

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Aliás, eu própria (apesar de ter uma melhor noção do corpo e patas e tal) não faço muito melhor que eles. Ora espreitem. São uns fofos.

 

Há porcos com cara focinho de galinha.

 
Há gatos com duas pernas.

 
E gatos com sete patas.  

pérolas infantis #10

Numa de consciencializar a miudagem para o lixo e para o desperdício que se faz no planeta, costumo falar de reciclagem com os meus miúdos. E mostrar-lhes que se podem fazer coisas fixes aproveitando lixo embalagens que seriam deitadas fora, para fazer instrumentos musicais. Às vezes faço coisas todas bonitas com eles, como vos mostrei aqui, quando tenho tempo.

No caso levei maracas recicladas com diversos materiais no interior, para que adivinhassem só pelo som (sem ver o conteúdo) o que estava lá dentro. Alguns miúdos adivinharam logo, outros tiveram de aproveitar pistas que vou dando para conseguirem perceber que o som era produzido com baguinhos de arroz, massinhas de canja, feijões ou areia.

A maioria acha muita piada quando vê que é uma maraca reciclada e não a sério, mas não passa muito disso. Lá ouvem a minha lengalenga sobre reciclar mas a coisa não vai muito além da aula, não vai longe, portanto.

E depois há aqueles miúdos que nos surpreendem. Na semana seguinte a este episódio que vos conto, a Lara que é uma miúda muito fofa a quem dou aulas, não sossegou enquanto não a deixei ir buscar a mochila porque “tinha uma surpresa” lá dentro.

Lá a deixei mostrar e foi isto que ela me apresentou. A maraca reciclada mais bonitinha de todo o sempre, que fez em casa “com a ajuda do pai, que colou o pauzinho”. E ainda fez outra de um rolo de papel higiénico. A melhor parte desta história é que me perguntou no fim (tal e qual eu lhes faço a eles):

– O que é que está cá dentro, ora adivinhem lá?… Faz este som… É da cozinha, cheira bem e é castanho…

Eram grãos de café. Uma ideia própria que ela tirou da cartola.

Lara, 5 anos.

  

pérolas infantis #8

No início de uma aula, naquele tempinho que tiro sempre para conversar com os miúdos (eles precisam mais do que se pensa – ter um adulto totalmente concentrado naquilo que eles querem dizer, a ouvi-los com atenção). Diz o Vicente, que é um miúdo porreiro a quem eu dou aulas, vidrado no mundo animal – tem cães, gatos, tartarugas e peixes e adora-os de paixão:Read More »

pérolas infantis #6

Acabadinha de chegar à escola, com um pé no degrau e o outro a pisar o chão da sala de aula:

– Olá meninos!

– Olá Pipi! – e virou a cara para o lado, qual exorcista que vomitou o chão todo.

Que recepção. Que imagem. Coitadito do miúdo – estava mesmo doente.

São pérolas que me caem na frente.

Literalmente.

O blog anda parado, porquê?

Porque é Natal, claro está. Porque há 539 festas infantis de Natal em que vou participar. Com adereços. E colegas que querem uma canção, e depois querem outra. E afinal já não querem a primeira porque é muito difícil. E porque precisam que alguém lhes arranje um “som de magia”. E porque há teatros para musicar. [Arranje-me lá uma música bonita para dizer uma poesia por cima.] E avaliações e relatórios para fazer. E já agora, a nossa própria vida para levar. Amigos  que estão longe para rever, jantares para participar e amigos secretos para presentear.

Fiz a árvore de Natal em meia hora e recusei-me a decorar o resto da casa. Ainda bem que tratei dos presentes em Novembro, senão ia tudo corrido a meias e chocolates. Previsível.

A sério, o Natal devia ser levado de outra maneira, mas isso era assunto para toda uma dissertação pouco romântica.

Ponto alto do dia

Ver um miúdo a limpar o salão (vulgo meter o dedo no nariz). Chamá-lo à atenção. Ver que coloca ainda mais o dedo dentro do nariz. Olhar para ele com cara de reprovação. Ver o miúdo a ficar vermelho e a choramingar. Perguntar o que se passa. Perceber que ele enfiou alguma coisa no nariz. Perguntar-lhe o que foi e no meio dos lamentos não perceber nada. Ficar preocupada e obrigá-lo a fungar como se não houvesse amanhã. Perceber que era uma pedra, isso mesmo, uma pequena pedra que apanhou do chão. E decidiu enfiar numa narina. Uma pedra é uma coisa tão gira. Dar sermão sobre narizes e orelhas e hospitais, otorrinos, doutores em geral, bombeiros e ambulâncias. Tenho um amigo ORL que diz que é normal, passa a vida a aspirar narizes e orelhas à canalha. Pelo sim pelo não, voltar a dar sermão. E depois continuar a aula.

E assim se passou ontem uma tarde animada.