reflexão sobre o minimalismo

Minimalism – um documentário sobre as coisas importantes. Vi-o logo no dia em que foi disponibilizado no netflix. Não foi grande surpresa porque já conhecia a corrente e reflito muitas vezes sobre ela. Será que precisamos mesmo de tudo o que temos? Será que quando queremos um roupeiro maior ou sonhamos com uma casa com mais arrumação, estamos a fazer sentido ou simplesmente a acumular coisas das quais não nos conseguimos livrar? Será que menos é mesmo mais?

Não sei. Fico na dúvida.

Sei que nas antípodas disto está aquela malta acumuladora, que vê função em tudo e acumula anos de lixo e objetos que não servem para nada, só mesmo nas suas cabeças. Consigo ver nos acumuladores algum tipo de patologia psicológica mas nos minimalistas não. Talvez porque seja uma ideia mais romântica esta, a de que precisamos verdadeiramente de muito pouco (refiro-me a bens físicos e materiais) na nossa vida do dia-a-dia. Talvez seja isso.

Mas voltando ao documentário. Adorei a forma como está realizado, a beleza da simplicidade (que no minimalismo se nota tanto!). O conceito de “coisas importantes”. As casas deles ficam mais bonitas, tão destralhadas que até apetece viver lá. As vidas deles parecem realmente mais simples de viver.

Será que somos mesmo nós que desejamos mais coisas, ou nos “obrigam” a querê-las mesmo que não precisemos delas? Roupas, telemóveis, carros, gadgets, casas? Somos nós que consumimos bens ou são os bens que nos consomem a nós? Será que quanto menos temos mais livres somos?

Somos realmente mais felizes?

Talvez os minimalistas sejam mais do que nós. Vejam o documentário que ele é lindo. E apela à reflexão.

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“13 reasons why” a minha perspectiva

É de mim ou realmente não há paciência para a televisão durante o verão?

Tenho 30 canais em casa mas acho assim tudo tão silly ou tão boring que voltei às séries, assim em grande: aviei as 3 temporadas de Fear of the walking dead (assunto para outro post), Stranger things (assunto para outro post) e 13 reasons why, que é o que me traz cá hoje.

A série é bastante aquele estilo colegial americano do futebol americano, quarterbacks e cheerleaders, mas no entanto o assunto é actual, representa bem o contexto potencialmente perigoso em que vivem os adolescentes e é, na minha opinião, uma série algo viciante. Episódio após episódio, suscita uma curiosidade galopante.

Diz a sinopse que: “Clay Jensen, um estudante, volta para casa da escola um dia, e encontra uma caixa misteriosa deixada na sua varanda. Dentro da caixa, ele encontra sete fitas cassete de dois lados gravadas por Hannah Baker, sua colega de escola e amor não-correspondido, que tragicamente cometeu suicídio há duas semanas atrás. Na fita, Hannah desenvolve um diário de áudio emocional, detalhando os treze motivos pelos quais se decidiu suicidar. Suas instruções são claras: cada pessoa que recebe a caixa é um dos motivos pelos quais ela se matou. E, depois de cada pessoa ouvir as fitas, deve passar a caixa para a próxima pessoa. Se alguém decidir quebrar a corrente, um outro conjunto das fitas será trazido a público. Cada fita se dirige à uma pessoa específica da sua escola e detalha o envolvimento da mesma em seu suicídio.”

Queremos saber logo o que vem na cassete seguinte, quem é citado ou não, e realmente o porquê da miúda ter decidido acabar com a vida daquela maneira. E depois o Dylan, na série Clay, é tão fofinho e inocente que dá dó. Os pais da miúda também, sempre em busca de respostas e sem nada que os fizesse suspeitar que tinham uma filha “com problemas”.

É evidente que a série retrata bullying consciente e deliberado por parte de algumas personagens. Mas depois de ver a série penso que pode ter especial interesse para que os adolescentes que a vejam reflictam se eles próprios não estarão a fazer bullying a alguém, sem mesmo se aperceberem disso, ou sem maldade – o que acho possível de acontecer também. A cena final que tanto zum zum deu por aí, é um pouco exagerada e gráfica demais, não havia necessidade de mostrar tão detalhadamente como é que se cortam pulsos longitudinalmente, numa banheira. Mas isso é  só a minha opinião.

Apesar de colegial-pseudo-dramático-adolescente, é uma boa série a ver, e há uma boa reflexão a fazer depois de a ter visto.

imagem daqui.

Jazz Minde 2017, apareçam!

Foto de JazzMinde.

Ora pois que Pipi já tem estadia marcada e bilhetes para o festival de Jazz de Minde deste ano! Se estiverem na zona, não deixem de visitar, porque este ano – para além da música boa que se faz e ouve por lá – ainda vaão ter direito ao plus de uma feira de gastronomia  a decorrer em simultâneo: vai ser muita gente boa, muita tasca jeitosa, muita comida de chorar por mais…e com direito a caminhada matinal (só para os fortes!) no meio do verde! Se o ano passado adorei (como vos contei aqui) este ano…tinha de voltar!

Deixo-vos o cartaz aqui em baixo e a página onde podem ver todas as informações necessárias. Eu vou hoje para baixo, usufruir dos 3 dias, com muito gosto.

Foto de JazzMinde.

Black Mirror – uma crítica a esta era maioritariamente digital e tecnológica

Sim, saiu em 2011 mas eu sou pessoa que liga pouco a ecrãns (principalmente de televisão) e a maior parte das coisas que vejo é porque alguém que me conhece bem me recomenda, um filme, uma série ou assim.

A propósito, recomendou-me um amigo durante uma conversa, que visse o Black Mirror, que ia gostar e tal, muito devido àquela ideia que eu tenho de que hoje em dia anda tudo de olhar pousado em baixo, nos ecrãns, a deixar de ver a realidade com todas as suas dimensões.

Lá comecei a ver a série, vou neste momento na terceira temporada. É boa, aquele primeiro episódio do porco é surreal, mas confesso que a ideia dos episódios serem todos soltos e sem fio condutor entre eles, me desliga um bocado. Gosto mais de séries com a mesma história ao longo dos episódios, não sei, posso ser eu que sou antiquada.

Diz Charlie Brooker, o produtor de Black Mirror – que “cada episódio tem um elenco diferente, um cenário diferente, até mesmo uma realidade diferente, mas todos tratam da forma que vivemos agora — e da forma que podemos estar a viver daqui a 10 minutos se formos desastrados”.

Acho que é fundamentalmente isto: uma crítica a esta era maioritariamente digital e tecnológica em que vivemos, em que parece que estamos ávidos de registos eletrónicos. Numa era em que a realidade não chega, em que parece que não basta sermos nós próprios e usar a nossa memória. Se não fica um vídeo, um cartão, uma extensão, um ficheiro – parece que simplesmente não existiu.

Há episódios mais fictícios, outros mais “possíveis”. Apesar de tudo estou a gostar. Fica a sugestão, se forem como eu: cépticos em relação aos efeitos das novas tecnologias nas nossas vidas – vão adorar.