unhas do mês #3

cá estão elas!

Que tal? Softzinho… 🙂

  

 

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amar um cão

…é chegar à escola, pôr a mão no bolso das calças e sentir que tenho ração de cão lá dentro.

Neste caso, é amar uma cadela.

A Bambi.

Chama-se assim porque tem um nariz fofinho mesmo fofinho e cor de rosa, como se fosse um verdadeiro Bambi. O nome aliás, assenta-lhe que nem uma luva porque é daqueles canídeos mesmo dóceis, a quem se pode fazer tudo e chatear até ao limite, sem que solte um ai de dor ou de ameaço. É uma podengo de pelo comprido que a maior parte do ano, mais parece um urso.

Adoptamos a Bambi numa associação/canil, e chegou cá a casa com 6 meses. Ir buscá-la foi das coisas mais duras que já fiz na vida (pelo menos para quem ama animais como eu) – “escolher” e trazer para casa apenas um animal no meio de centenas de outros, que parece que sabem disso e nos olham nos olhos , como a pensar – será que sou eu? Foi de partir o coração andar naquelas instalações. A propósito, ela é que me escolheu a mim. Mas lá a trouxemos, ela toda contente, e sempre se portou bem (na medida do possível, que ela ainda levou uns meses a roer tudo o que apanhava pela frente). A Bambi não ladrava (chegamos a pensar que fosse muda) e demorou uns bons meses para que lhe ouvíssemos a voz. Que é bem grossa, “parece um cão a sério” – costumo brincar.

Entretanto já tem 5 anos, 25 kg, está a fazer dieta (ah ah ah ah) e é muito feliz na quinta, com muito espaço para brincar e cenas várias para roer. A Bambi ultrapassou todos os traumas que trazia do canil menos um, o medo da vassoura. Não faço ideia qual seria a função da vassoura no canil, mas suspeito que não seria coisa boa. Ainda hoje, anos depois, se pegamos na vassoura com pressa, lá vai ela a fugir, dá meia volta e nunca mais ninguém a vê.

Durante este tempo, quando íamos ao veterinário (fomos pelo menos a dois – o da associação e um privado) para vacinas ou aquelas coisas de rotina, o facto de ter o nariz cor de rosa sempre soltou comentários e brincadeiras. Sempre nos avisaram para nunca deixar a Bambi ao sol e até para lhe pormos um pouco de protetor solar no nariz quando estivesse muito calor. “Ai este nariz!” Diziam os veterinários. Assim fiz, algumas vezes, até reparar que ela o lambia e que por isso nunca havia de fazer o devido efeito.

Até que um dia, por causa de uma tosquia, foi a uma clínica veterinária diferente. A veterinária examinou-a depois do banho, e mandou-me chamar à sala de espera. Entrei no consultório e perguntou-me se eu sabia da condição especial da Bambi e que tipo de medicação estava a fazer. Como? Condição especial? Eu não sabia de nada, a não ser que ela tinha um nariz especial – cor de rosa – e que não a podia deixar apanhar sol direto, fora isso… 

Fora isso, a dra assim que bateu os olhos nela suspeitou logo de alguma coisa, e perante o meu espanto, foi buscar um “catrapázio” médico, daqueles livros super grossos e pesados com fotografias de milhentas doenças lá dentro…procurou e encontrou: Lúpus.

Assim de repente a única coisa que a Bambi tinha tido na vida eram otites, fiquei a saber que o Lúpus é auto-imune e o processo inflamatório ataca tudo o que é mucosa,  diz que dá bastante dor, e a bicha sempre na boa, todos os dias parecia bem e feliz quando nos via, e brincava sempre connosco, nada no seu comportamento nos faria suspeitar que estaria doente. A própria da médica veterinária só tinha visto dois casos de lúpus em cães, desde que exerce. Melhor estudado o caso pela dra e centenas de euros depois – em exames e tratamentos, a Bambi faz agora a medicação em comprimido, todos os dias e provavelmente crónica para toda a vida, para lhe controlar os sintomas, já que a doença em si não tem cura.

A parte boa é que quem não souber de nada, nem sonha que ela é doente! Continua um bicho dócil, adorável, ativa e feliz no seu reino de trazer por casa. E agradecida, todos os dias, como sempre foi.

Foi um susto do caraças, passou noites no meu quarto, mas tudo se resolveu!

E assim se ama uma Bambi.

bambi.JPG

Obrigada à Dra Lurdes por ser um amor de pessoa e uma excelente profissional, afinal só ela viu o que os outros colegas nunca suspeitaram! Como eu costumo dizer…até para se ser cão é preciso sorte!

Fui feliz…no Vila Galé da Ericeira

Ah…o que eu adoro a Ericeira! Quer dizer, para ser mais correcta eu adoro todos os sítios da costa portuguesa (vá, quase todos – que também há deles que valha-me deus). Eu adoro basicamente tudo o tenha que ver com o mar.

Eu tenho uma cena pelo mar, pronto. Aquele barulho das ondas, aquela sensação de paz… Se calhar sou uma encarnação qualquer de marinheiro ou pescador, eu sei lá.

Vejam bem que eu, que sou uma constante fazedora de coisas para quem é um martírio estar sossegada e quieta 10 minutos no mesmo sítio (vulgo adulto hiperativo), é só colocarem-me em frente ao mar e eu fico logo toda zen, uma calma de pessoa. É que nem pareço eu, a sério.

Passa-me a vontade de fazer coisas, não penso em “quase” nada, e posso estar ali, a olhar para ele umas boas horas, sem ter vontade de fazer absolutamente mais nada, nem ir a mais lugar nenhum.

Agora aliem a isso este hotel maravilhoso, que mais parece um navio de cruzeiro – de tão em cima do mar que está – e concluam comigo: qualquer pessoa em geral e euzinha própria em particular, podia ser feliz ali durante uns bons 2 meses.  E meio.

 

Infelizmente não há fortuna para isso, portanto cá estou eu de volta, a trabalhar – que dignifica e enobrece – mantra de hoje.

Noites de poesia #15

Mais uma poesia daquelas mesmo boas. A degustar.

A Curva dos Teus Olhos

A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
É uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência,
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.

Paul Eluard, in “Algumas das Palavras”