ouvi e gostei #40

E então, gente? Rubrica de sexta feira!

Já tinha saudades de cá deixar um som…zinho para animar a nossa sexta feira! Que, a propósito, é o dia que mais trabalho e chego a casa com zero energia! Para ajudar, cá vai um tema mesmo mesmo mesmo boa onda! Mais um que ouvi no alpendre de uns amigos nestes dias de outono que mais parecem verão!

O tema chama-se St James Ballroom e é da Alice Francis. Ora parece que a Alice nasceu na Roménia. Viveu um pouco por toda a parte e agora saltita entre a Roménia e Colónia na Alemanha. Começou na música aos 12 anos e entretanto nunca mais parou. Gosta de swing, gosta de jazz (como eu a compreendo!), já tocou com muita gente, incluindo o “meu” Parov, e pronto, é esta a informação básica! Se gostarem descubram o resto! (E contém-me tudo, já agora!)

Para mim, há qualquer coisa de “optimístico” (acabei de inventar a palavra) neste som, o que só pode ser bom!… O vídeo, esse – está demais!

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bricolage #1: vasos de cimento

Antigamente chamavam-se a estas coisas trabalhos manuais. Sempre adorei e a minha mãe sempre cultivou em mim a destreza manual. Em minha casa sempre me incentivaram a pintar, a fazer crochet – não naperons, mas coisas giras tipo estojos e malas e essas coisas – arraiolos, ponto cruz… Lá por casa enquanto fui crescendo, sempre se mudaram lâmpadas, sempre se fez pequenos arranjos, e em jeito de brincadeira até costumávamos dizer que “não precisávamos de homens para quase nada…”

Isto para dizer que sempre fui pessoa de mãos na massa (literalmente!) e por isso sou amante de bricolage. Tudo que seja para construir, pintar, fazer com as mãos, ui! contem comigo.

Uma das “bricolages” que fiz durante o verão (e só agora tive um tempinho para vir mostrar) foi vasos de cimento. Sim, leram bem. Nas minhas arrumações encontrei um saco de cimento esquecido lá por casa e não descansei enquanto não lhe encontrei destino.

Se fizerem uma pequena pesquisa na internet, vão saber logo do que estou a falar. Então no youtube existem centenas de vídeos com vários tamanhos e técnicas para se fazer este projecto. Como saiu daqui um trabalho fácil, barato e engraçado de se fazer, cá fica a minha experiência, e vou mostrar-vos como me saí.

Inspirei-me nesta foto e siga para a massa!

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Vamos precisar de:

  • cimento
  • areia
  • agua
  • oleo de girassol ou outro óleo qualquer (eu usei wd40 porque era em spray e estava por lá mesmo à mão de semear)
  • caixas para servir de molde (uma exterior e uma mais pequena para o interior)
  • lixa para madeira
  • tinta (da cor que quiserem ou várias até)
  • fita de pintor
  • pinceis finos

Preços:

  • cimento – 2,5€ (eu não comprei o meu, mas 1kg deve andar à volta disto)
  • areia – grátis (da praia)
  • lixa – 0,60€
  • tinta – 4€
  • pincéis – 2€
  • fita de pintor – 1€

Então, vamos precisar de cimento, certo? Descobri que existem vários tipos de cimento (normal, cola e especiais) mas vamos ficar-nos com o normal e mais barato, naquela cor de cimento mesmo, aquele acinzentado que está mesmo na moda em todas as revistas de décor, tendências e afins. Também descobri que existe cimento branco, mas não fui por aí, até porque já tinha o meu na garagem e por isso foi o que usei. Keep it simple.

Depois é medir os pós todos, uma parte de cimento, uma parte de areia e um bocadinho de água. Mistura-se primeiro muito bem e só depois se junta a água, que é um bocado a olho. Não é preciso muita, que aquilo começa logo a ligar, é preciso é ter força e mexer tudo muito bem.

Depois da mistura feita (diria que a textura ideal é assim a de massa de bolo) é só virar para um recipiente já untado de óleo. Convém escolher antes os recipientes, para que encaixem bem e não fique muito espaço entre um e outro. Não encher o recipiente até cima porque depois vamos ter de colocar no centro o outro recipiente. Se estiver demasiado cheio, o cimento vai transbordar e suja tudo. Convém bater bem por fora com um utensílio qualquer, para eliminar bolhas de ar.

Fica mais ou menos assim.


Depois é aguardar 24h para secar (fiz no verão, por isso prevejo que se fizerem no inverno demore mais tempo, não sei). Com alguma paciência desenforma-se primeiro o recipiente de dentro e depois basta virar ao contrário o de fora et…. voilá! Está feito.

 


Lixa-se um bocadinho os cantos e arestas mais aguçadas com lixa de madeira (fininha! não façam como eu que na primeira vez usei uma bem grossa e ia ficando sem vaso) e está pronto para pintar! Usem a fita de pintor para fazer formas – risquinhos, listas maiores…é dar asas à criatividade! Com umas suculentas lá dentro ficam um must!

Os meus acabaram assim!

  
E também fiz estes diferentes, ao jeito little monsters!

 


Mas o que não falta é inspiração por essa internet fora! Usando recipientes com formas diferentes, conseguem-se trabalhos mesmo giros!

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fotos daqui, daqui, daqui e daqui. As outras são minhas!

 

 

Gato satisfeito é gato satisfeito!

Cá por casa temos gato e cão. Ambos seres adoráveis! Tanto eu como pipi-man sempre fomos criados com animais e nutrimos por eles um amor incondicional. Sim, mesmo quando eles se portam mal. Sim, mesmo quando nos roem as folhas e as meias e os sapatos. É mais caso de cão, porque o gatito porta-se beeeeeeem melhor.
Catisfactions snacks para gato 60 g

Em jeito de recompensa costumo comprar-lhes umas rações super-especiais, daquelas que só dou de vez em quando, como se fosse uma ocasião especial, tipo almoço de domingo. São ambos castrados e por isso há sempre aquela preocupação com a qualidade da ração e o peso dos nossos animais.

Por isso fiquei tão contente quando a Youzz nos ofereceu cá para casa este petisco maravilha! Catisfactions! O Mi adorou! Primeiro, e por causa daquele fascínio especial que os gatos têm com caixas, não a deixou em paz. Tentou meter-se lá dentro, viu que não dava e não parou um segundo! Depois devorou logo algumas saquetas e pela cara dele, sei que adorou!

A ração parece ser muito saborosa (o Mi só provou o sabor de frango) e de boa qualidade. Até a nossa cadelita mostrou interesse pela ração, se não fosse a nossa supervisão apertada, penso que teriam comido “a meias”. Para nós teve ainda a mais valia de ser adaptada a animais castrados, porque cada snack tem apenas 2 calorias, o que não nos pesa a nós na cosciência, quando lhos damos a comer.

Sem dúvida que cá em casa ficamos fãs! Vamos (quer dizer, vai o gato!) experimentar certamente os restantes sabores! Mais uma vez obrigada à Youzz pela amabilidade!

Ora digam lá, que isto não é cara de gato satisfeito!

O aspecto da embalagem é este, e podem comprar em qualquer hipermercado!

Imagem relacionada

 

 

Os meus vizinhos

Pipi-man toca guitarra quase todos os dias.

Eu canto quase todos os dias. No banho ou na cozinha. E com voz a sério quando ensaiamos na sala.

Eu toco piano algumas vezes.

Excepcionalmente toco um bocadinho de flauta de bisel para exemplificar um excerto ou outros instrumentos de percussão assim ao acaso.

Hoje à tarde, por brincadeira, toquei uma flauta de bisel sopranino (extremamente irritante).

Os meus vizinhos compraram o apartamento ao lado deste há pouco tempo. Suspeito que pensem coisas do género quando nos ouvem:

– “Eu bem te disse Maria, que por este preço, o apartamento tinha de ter algum defeito!”

ou

– “Oh não!!!! Eles também têm um piano/flauta/cenas (que fazem barulho)!”

ou

– “Ó Zé, eu não acredito, anda cá ouvir isto, já é demais! Agora estão a tocar um pífaro estridente maluco!”

Curiosamente até agora, nunca disseram nada. Mas deve ser mais ou menos assim que imaginam a minha casa.

imagem daqui.

 

Daqui a nada estou a ir à missa ao domingo de manhã.

É que passei o meu sábado à tarde a lavar o carro.

Acho (que me lembre) só tinha lavado o carro uma vez, quando mo roubaram e passou duas semanas fora de casa, com um novo amigo humano.

Se isto não é o princípio do fim, então não sei o que é.

imagem daqui.

 

Noites de poesia #12

ARTE POÉTICA 

o poema não tem mais que o som do seu sentido,

a letra p não é a primeira letra da palavra poema,

o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,

poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva

fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil

árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura

de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes

e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não

se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e

memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio,

lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu

olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,

silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio

de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema

calado, quem o pode negar?,que escreves sempre e sempre, em

segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.

o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,

a letra p não é a primeira letra da palavra poema,

o poema é quando eu podia dormir à tarde nas férias

do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu

fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não

conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a

letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do

quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel

e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas

e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças

e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.

o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama

poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de

si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para

abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo

o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,

é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,

não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são

bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a

raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos

conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um

torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre

os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema

porque a palavra poema é um palavra, o poema é a

carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre

os telhados na hora em que todos dormem, é a última

lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.

o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,

tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se

com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e

incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,

a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo

para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por

mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares

onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,

o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me

olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a

palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.

 

 

 

poema de José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas

Baixou em mim o espírito de dona de casa*

Lavei 3 máquinas de roupa. Esqueci-me que só tenho um estendal.

Resultado: dei prioridade às peças grandes e tenho boxers dele a secar espalhados pela sala. 

Espero que ninguém me toque inesperadamente à campainha. 

Nunca vi homem com um rácio destes no que respeita a cuecas.

*o que vale é que passa depressa.

  
Imagem daqui.