Aquela altura do ano

Todos os anos é a mesma coisa. Todos os anos eu penso “para o ano é que vai ser, não vou cometer o mesmo erro, vou fazer as coisas com mais calma, com mais antecedência.” Mas a verdade é que não dá.

Não dá para começar a trabalhar certos conteúdos mais cedo, não dá para marcar ensaios para as festas de final de ano mais cedo, não dá para fazer as lembranças de participação (e são muitas) que todos os anos entrego aos meus alunos, mais cedo. Não dá para fazer o arquivo dos seus trabalhinhos mais cedo, só mesmo no fim do ano. E as avaliações também não dá para fazer a um mês do fim do período, até porque não seria um registo exacto e descritivo do seu percurso até ao fim do ano letivo.

Simplesmente não dá para antecipar certas coisas, certos timmings particulares – o que invariavelmente acaba sempre num acréscimo muito acentuado de trabalho nesta altura do ano. É que nem sei para onde me virar. E olhem que eu até sou uma pessoa bem organizada, com to do lists por todo o lado, e que raramente deixa uma tarefa para trás ou se esquece de alguma coisa. Neste momento o meu escritório não tem chão disponível e trabalho de segunda a domingo.

Mas vale a pena, mais não seja para ver a cara de satisfação e a alegria dos miúdos quando chega o fim do ano letivo. Isso não tem preço. Pelo menos para mim.

Resultado de imagem para the parts of a teacher

imagem daqui.

 

ouvi e gostei #36

Tash Sultana. É uma intérprete e compositora Australiana, que me foi dada a conhecer pela dica do meu querido amigo F (a propósito, podes mandar mais dicas destas, sempre que quiseres!). Pelo que vi, ela trabalha essencialmente com loops, o que lhe permite fazer exactamente o que lhe der na gana (quem me dera, um sonoro em que só eu reinasse – ahahah – mas infelizmente não tenho capacidade para tal).

Bem, voltando à Natasha (Tash para os amigos). Gosto do registo de guitarra dela, dos solos simples e mesmo na distorção (coisa que regra geral não aprecio) gostei de a ouvir. A voz não é uma raridade nunca antes ouvida, mas tem um timbre meio soul, bem bonito! O primerio EP dela chama-se Motion, mas o tema que mais gostei de ouvir foi este “murder to the mind”, deste ano ainda, está fresquinho, fresquinho!

Para uma menina de 21 anos, não está nada mal. Por via das dúvidas, vou segui-la a ver no que isto vai dar.

Vejam aqui o vídeo dela e vejam lá se não concordam comigo…

Black Mirror – uma crítica a esta era maioritariamente digital e tecnológica

Sim, saiu em 2011 mas eu sou pessoa que liga pouco a ecrãns (principalmente de televisão) e a maior parte das coisas que vejo é porque alguém que me conhece bem me recomenda, um filme, uma série ou assim.

A propósito, recomendou-me um amigo durante uma conversa, que visse o Black Mirror, que ia gostar e tal, muito devido àquela ideia que eu tenho de que hoje em dia anda tudo de olhar pousado em baixo, nos ecrãns, a deixar de ver a realidade com todas as suas dimensões.

Lá comecei a ver a série, vou neste momento na terceira temporada. É boa, aquele primeiro episódio do porco é surreal, mas confesso que a ideia dos episódios serem todos soltos e sem fio condutor entre eles, me desliga um bocado. Gosto mais de séries com a mesma história ao longo dos episódios, não sei, posso ser eu que sou antiquada.

Diz Charlie Brooker, o produtor de Black Mirror – que “cada episódio tem um elenco diferente, um cenário diferente, até mesmo uma realidade diferente, mas todos tratam da forma que vivemos agora — e da forma que podemos estar a viver daqui a 10 minutos se formos desastrados”.

Acho que é fundamentalmente isto: uma crítica a esta era maioritariamente digital e tecnológica em que vivemos, em que parece que estamos ávidos de registos eletrónicos. Numa era em que a realidade não chega, em que parece que não basta sermos nós próprios e usar a nossa memória. Se não fica um vídeo, um cartão, uma extensão, um ficheiro – parece que simplesmente não existiu.

Há episódios mais fictícios, outros mais “possíveis”. Apesar de tudo estou a gostar. Fica a sugestão, se forem como eu: cépticos em relação aos efeitos das novas tecnologias nas nossas vidas – vão adorar.