ouvi e gostei #56

Chino and the big bet. Ouvi-os no Porto Blues Fest, há duas semanas atrás, e adorei!

São espanhóis, o Chino é argentino, mas vivem em Barcelona, e a cena deles é blues, do melhor que já ouvi, não sou grande apreciadora, normalmente acho demasiado previsível e acabo por prefir jazz, mas deste blues gostei…e muito!

O Chino é um verdadeiro entertainer, um comunicador que dá gosto ver e ouvir. Os blues que tocaram nada seca, gostei da bateria sempre com novidade a misturar blues com latinos, com funk, e muita pinta pelo meio. O baixo era elétrico mas tocado com técnica de acústico…muito bom!

A voz do Chino não é a última coca-cola do deserto, mas compensa pelo todo, pelo seu bom humor contagiante que conseguiu fazer levantar da relva aquela malta toda, e pelas boas gargalhadas que mandamos durante o concerto. Ele trouxe uma resophonic guitar – guitarra ressonadora (acho que é assim que se traduz para português),e que belo momento nos proporcionou, sem amplificação e só com a sua voz natural!

Já em cima do palco me pareceram uns gajos porreiros e no fim de tocarem vieram para o meio da malta ver o concerto seguinte. Ainda consegui falar com o Chino, que comprovando a minha teoria, foi mesmo um gajo porreiro, agradeceu os elogios que lhe fiz e me brindou com um sorriso de orelha a orelha!

Gostei de vários, mas deixo-vos com o tema que achei mais engraçado. O vídeo não é dos melhores, mas ouçam a letra, e….

Hush!….

ahahahahahahah

Anúncios

Jazz minde – não percam!

Já sabem, porque já me fartei de dizer aqui e aqui, que para mim este é o melhor festival que conheço e o único a que vou, todos os anos, desde que o conheci.

A música é do melhor, o sítio muito pitoresco, a malta muito simpática e hospitaleira, a onda é bestial!!!

Se estiverem na zona (ou não) e puderem…este é daqueles a não faltar! Mesmo!

 

ouvi e gostei #54

Bebe, pa mi casa, tocado por um dj amigo meu, e ouvido numa noite destas.

Claro que não descansei enquanto não investiguei, gosto sobretudo da voz dela, que é rouca, gasta, mas tão melodiosa e profunda ao mesmo tempo.

E depois este ritmo é super contagiante, imaginem uma pista de dança improvável com toda a gente a gritar o Á Á Á á Á Áaaa Áaaa Áaaaa…

E, eu tenho amigos muito estranhos. Mas muito divertidos, também.

ouvi e gostei #53

Bom dia malta!

E a sugestão de hoje é uma funkalhada do caraças! Ou não fosse do Dam Funk e do Steve Arrington, que andam nisto do funk há uma vida, mais propriamente desde quando eu ainda andava de fralda.

É impressionante o que um bom baixo pode fazer por uma música!… a sério, merece uns auscultadores bonzinhos para degustar estes graves!

Aquele sonzinho boa onda de abanar ligeiramente a cabeça para cima e para baixo, muito bem feito, adoro as vozes, e o baixo senhores….o baixo!

I be tripping, ouvido e gostado por mim!

ouvi e gostei #50

Caro Emerald.

Holandesa, cantora de jazz, já foi número 1 no top holandês durante 30 semanas!

Aquele tipo de música que poderia ter passado num qualquer anúncio de televisão.

Bem disposto, a atirar para o veraneante, nada sério, com um ostinato de piano engraçado, a voz  não é um timbre brilhante mas bem adaptada. No todo um tema que resulta bem no estilo que tem.

Para cantarolar e abanar o pézinho. Animado, despretensioso, imagino-o dançado por miúdas divertidas numa noite igualmente divertida.

O vídeo é muito boa onda, convosco, A night like this, que eu ouvi por aí e gostei.

 

O sr. João

O meu coordenador de uma das escolas onde trabalho avisou-me em janeiro que ia ter um aluno novo. Na última hora de sexta-feira. Ok, disse eu, já com o nariz meio torcido, e que idade tem o miúdo? Ele respondeu-me que não era um miúdo, era um adulto que queria aprender piano e vinha para a escola em regime livre, com o cunhado, que queria aprender guitarra. Assim vinham os dois juntos e tinham aula de piano e guitarra ao mesmo tempo. Pois muito bem, pensei eu, um bocado a medo (dar aulas de instrumento a adultos – coisa que eu já tinha feito há uns bons anos – nunca é assim coisa muito fácil de se fazer), mas ele que venha, havemos de nos entender.

Então lá apareceu o sr. João na minha aula, no dia combinado, à sexta feira, última aula da tarde, da semana. Depois de 12 horas a trabalhar (a sexta-feira é de longe o meu dia mais lixado). A cereja no topo do bolo, confesso que foi o que eu preconceituosamente pensei.

O sr. João entrou, encostou a barriguinha ao piano (eu um bocado em choque). Apresentou-se e contou-me o motivo de estar ali. Tem um teclado em casa, que já tentou dar ao neto, mas ele não o quer tocar, muito menos ter aulas. “E olhe professora, eu também não vou vender aquilo, queria lá tocar qualquer coisa, e por isso venho aprender, se me puder ensinar qualquer coisinha!”.

Olhei-lhe inevitavelmente para as mãos: daquelas grandes (três das minhas para ser mais precisa) pesadas, dedos super grossos, mãos de muitos anos de trabalho manual. Tão limpas quanto ásperas, pouca mobilidade, unhas impecáveis, bem tratadas.

Isto vai ser difícil – foi o que pensei mas nunca disse. A mobilidade das mãos e dos dedos é reduzida, afinal (sei agora) o Sr. João faz no próximo mês 70 anos.

Gostei dele. Admirei-o desde o primeiro momento por se sujeitar a um tipo de aprendizagem tão exigente como esta, na sua idade. Poderia estar a fazer milhentas coisas com o seu tempo livre. Mas não. Era nisto que ele queria queimar neurónios.

Expliquei-lhe que nunca o iria tratar como uma criança, que não lhe ia ensinar as mesmas coisas que ensino aos miúdos. Que gostava que ele me dissesse exactamente o que pretendia com as aulas, sem vergonhas, para o ajudar e para que ele em altura nenhuma se sentisse desmotivado. Nunca fez tanto sentido para mim, como ultimamente, ver a música como um divertimento (principalmente a partir de certa idade) e não como técnica instrumental a ser explorada.

Percebi então que o objetivo dele é simplesmente conseguir fazer alguns acordes, para se acompanhar a si próprio e aos outros quando cantam. “Canções de antigamente, professora, daquelas que eu e os meus amigos ainda cantamos quando nos reunimos. Daquelas que toda a gente sabe, eu tocava piano, o meu cunhado guitarra e os outros acompanham-nos e vamos cantando, é isso que eu pretendo”.

Que lindo!… Começamos com coisas muito simples, entretanto já aumentou a mobilidade nas mãos (só um bocadinho, é claro), já faz uma oitava da escala de DóM em mãos separadas e a aula passada já conseguimos tocar e cantar um tema grande do início até ao fim, sem paragens nem interrupções! Bem, a festa que fizemos, a conquista que foi, as gargalhadas que demos! A animação é tanta que aos poucos o resto do pessoal da escola vai acabando por vir parar à nossa sala, tal é a paródia!

Claro que não é um mar de rosas, vamos ao ritmo dele, boicotamos aulas com muita conversa pelo meio, passamos “que tempos” para fazer uma coisa “simples”, falamos tanto – ou mais – de horta (o sr João é pro em agricultura) que de música. Mas acima de tudo fico contente por genuinamente não fazer frete nenhum quando estou ali com ele. Até que conseguiu tornar a minha sexta-feira-infernal num fim de dia de trabalho mais agradável e divertido.

Entretanto já me ofereceu um livrinho almanaque agrícola e uns pés de alfaces de um tipo qualquer xpto que pouca gente conhece – para eu plantar na minha horta.

Um querido.

Cá para nós que ninguém nos ouve: eu é que vou aprender muito com ele.

Obrigada Sr. João, por me dar o prazer de lhe dar aulas.

Afinal sempre se tornou a cereja no topo do meu bolo de sexta-feira, mas pelos melhores motivos!