ouvi e gostei #33

Mirror People, outra vez. Já tinha falado deles aqui no blog, com um dos temas da minha vida, o “Come over”. Mas agora têm álbum novo – “Bring the light” – e do que ouvi, esta foi a que mais gostei. Estão mais electrónicos, sem bateria acústica (perdem mais do que ganham, na minha opinião), mais crus –  mas bons na mesma e à portuguesa. Orgulho. E os videoclips? Sempre impecáveis.

Não é dos melhores temas deles de todos os tempos, mas é um tema bem jeitoso. Ora ouçam lá.

Santo António…de cabeça para baixo!

Acho mesmo giro que as lendas ou crenças ou sei-lá-o-que-chamar-a-isto-de-virar-santos-ao-contrário perdurem no tempo. Não sou propriamente uma pessoa religiosa (não sei grandes rezas, não vou à missa e quando vou não percebo nada) mas tenho as minhas crenças. Mais ao estilo budista – de fazer o bem, ou de não podendo fazer o bem pelo menos não praticar o mal, ajudar o próximo e não olhar a preconceitos, por exemplo. No entanto lembro-me de ser pequena e a minha avó – que era crente e praticante – ser devota da Nossa Senhora e do Santo António. A minha avó tinha também uma evidente costela budista porque sempre ajudou muita gente, tinha uma paciência de elefante e nunca a vi chateada com ninguém. Nem quando eu lhe parti ao meio a mesinha da sala que era de vidro, depois de ela me ter avisado 370 vezes que aquilo ia acontecer, e me encontrou no chão cravada em cacos. Mesmo assim ela não se chateou comigo. Apesar de pessoalmente não acreditar, acho giro isto da tradição dos santos. Quando se perdia alguma coisa lá de casa, lá ia ela pedir que lhe lessem “o responso” – uma reza qualquer que se acreditava antigamente que, caso não houvesse erro enquanto rezada, fazia aparecer o objeto perdido. Isso e atar um lenço na perna da mesa. É bonita a fé das pessoas, seja na forma de rezas, de lenços ou de imagens de cerâmica. Eu tenho a minha fé em forma de coisas bonitas, padrões geométricos, cãezinhos felizes e porco-espinhos despreocupados, em forma de pôr do sol e de entardecer na praia. Ela tinha a dela. Além disso, na minha opinião, o obscurantismo pode ter tanto de bonito como o avanço científico. Eu acredito e respeito é o valor que as pessoas depositam nesses objetos, imagens, e lenga-lengas, e guardo-os para mim. Numa outra ocasião, há muitos anos, tive um aluno pequenino que perdeu a mãe num acidente de carro durante o ano letivo em que lhe dei aulas. Eu e a restante comunidade escolar apoiamos o percurso do miúdo, na medida do possível, claro. Ele acabou por fazer a comunhão nesse ano e ofereceu-me um pequeno terço, com uma cruzinha de madeira e 10 contas. Acho que se chama uma dezena – eu nunca lhe disse mas não faço ideia de como aquilo se reza. No entanto anda comigo todos os dias, desde então. Lembra-me a volta por cima que o miúdo, mesmo pequeno, deu à vida. O engraçado disto da fé e dos santos é que, mesmo não acreditando, há um quê de cultural e pacificador nisto. Há uma boa década atrás, fruto de um desgosto amoroso, aqui a pessoa andava solteira e descomprometida pelas ruas da capital e viu um Santo António pequenino (eu tenho tara por coisas pequeninas) numa montra de uma loja daquelas mesmo antigas. Olhei para ele, ele olhou de volta e senti qualquer coisa. Lembrei-me da fé que a minha avó tinha naquela imagem e comprei-o por brincadeira. Levei-o para casa e pensei: bem, já que o tenho, vou virá-lo ao contrário. Só naquela. Diz que pode resultar. Virei e tcharan! Pouco tempo depois, lá andava eu feliz da vida outra vez, só não sei é se foi do santo! Por via das dúvidas… 🙂 Bom Sant´António a todos!

imagem daqui.